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As edificações e a escassez de
água nas cidades

As edificações e a escassez de água nas cidades

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As edificações e a escassez de água nas cidades

Reportagens recentes mostraram que as populações de São Paulo e de Guarapari não estão passivas diante da escassez de água. Diversas práticas conservacionistas vêm sendo implementadas, que vão desde a redução voluntária do consumo até o aproveitamento de fontes não potáveis de água para usos menos nobres (lavagem de pisos, irrigação de jardins, etc.).

Mas que fontes são estas? As mais facilmente disponíveis são a água de chuva e as águas servidas sem contaminação fecal (águas cinzas). Várias pesquisas realizadas no Núcleo Água da UFES comprovaram a qualidade da água de chuva coletada em telhados na Região Metropolitana de Vitória. Pelas suas características físico-químicas, esta é a melhor água para a irrigação de jardins, lavagem de pisos, lavagem de veículos e umectação de vias. Apresenta pequena contaminação biológica, o que a qualifica como água não potável, mas perfeitamente utilizável para os usos descritos.

As águas cinzas são as que apresentam maior disponibilidade, pois são produzidas sempre que tomamos banho, lavamos roupas, escovamos os dentes, etc. Não dependem das precipitações atmosféricas e, por isso, são uma fonte muito confiável. Porém, suas qualidades físico-químicas e biológicas exigem um tratamento para que sejam reutilizadas para fins não potáveis. Várias edificações já reusam águas cinzas na Região Metropolitana de Vitória, algumas economizando até 30% de água potável.

Mas se é tão vantajoso, por que a prática não se generaliza em nossa região? A resposta é complexa, porém seu início está na modificação obrigatória da maneira como projetamos e construímos nossas edificações. Desde o século XIX o sistema hidrossanitário das edificações compreende a alimentação exclusiva com água potável e a coleta de esgoto predial. Adaptar uma edificação desta para o aproveitamento de fontes não potáveis é inviável economicamente, o que a condena a uma vida útil de cerca de 50 anos com ineficiência permanente no consumo da água e na geração de esgoto.

Isso precisa ser alterado com urgência, para que o ciclo urbano da água seja mais sustentável nas nossas cidades. Se os Municípios passarem a aprovar somente novos edifícios com dupla alimentação (água potável e não potável) e coleta segregada de águas cinzas, mesmo tolerando o uso exclusivo de água potável no presente, esta flexibilidade poderá ser muito útil em um futuro próximo. Várias cidades brasileiras já deram um passo adiante, equipando-se de legislação específica que regulamenta a questão.

Ricardo Franci / Eng. Civil e Sanitarista, D.Ing.

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