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A importância da operação e manutenção
em sistemas de tratamento de efluentes

A importância da operação e manutenção em sistemas de tratamento de efluentes

A importância da operação e manutenção em sistemas de tratamento de efluentes

Introdução

A importância da operação e manutenção em sistemas de tratamento de efluentes

Em 1789, Antoine Lavoisier, conhecido como o “pai” da química moderna, enunciou a Lei de Conservação da Massa, famosa pela seguinte frase: “Na natureza nada se cria, nada de perde, tudo se transforma”. Essa frase também se aplica ao funcionamento dos sistemas de tratamento de efluentes pois, em seus processos, inevitavelmente surgem subprodutos como lodo e biogás.

É importante abordarmos esse assunto pois em pleno século 21 ainda temos visto alguns profissionais e empresas prestando um desserviço à população, oferecendo milagrosos sistemas de tratamento de efluentes que não demandam operação, manutenção, não produzem lodo, entre outros tipos de absurdos. Se o efluente entra em um sistema de tratamento “sujo”, ou seja, com grandes concentrações de matéria orgânica, e sai “limpo”, o que acontece com essa matéria orgânica retirada? Simplesmente desaparecem? Esse tipo de informação, além de envergonhar os engenheiros sanitaristas sérios de nosso país, também pode ser caracterizada como propaganda enganosa caso seja utilizada para enganar consumidores. Propaganda enganosa é crime e expressamente proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.

Todos os sistemas de tratamento de efluentes demandam operação e manutenção para correto funcionamento e maior durabilidade. De maneira geral, podemos dividir as etapas de operação da seguinte maneira:

Limpeza de gradeamento: A primeira etapa de qualquer sistema de tratamento é o gradeamento, responsável por reter sólidos grosseiros. Nesta etapa, a verificação frequente é fundamental, pois uma vez que o gradeamento está completamente obstruído por resíduos provenientes da rede de esgoto (fio dental, absorvente, resíduos plásticos, etc.) o efluente que continua chegando não tem condições de passar, e nesse momento acontece o retorno do efluente ou transbordamento da caixa de entrada. A frequência de limpeza depende do tipo de sistema e da cultura das pessoas que contribuem para a geração do esgoto.

Remoção de lodo: Todos os sistemas de tratamento de efluentes produzem lodo, independentemente de serem físico-químicos, anaeróbios, aeróbios, ou algum tipo de combinação entre eles. Na maioria dos casos, os sistemas contam com leitos de secagem ou bolsas drenantes para desague do lodo removido, reduzindo seu volume e facilitando seu descarte. Em alguns casos, a remoção do lodo é realizada apenas através de caminhão de sucção, sendo este responsável por destiná-lo em aterro qualificado. Em qualquer uma das opções, a verificação visual da altura da camada de lodo de tempos em tempos é imprescindível.

Reposição de produtos químicos: A grande maioria dos sistemas de tratamento de efluentes demandam produtos químicos em alguma de suas etapas, mesmo no tratamento biológico. Os sistemas chamados físico-químicos demandam grandes quantidades de produtos químicos com uma reposição constante. Os biológicos, por sua vez, utilizam volumes consideravelmente menores, em geral demandando apenas hipoclorito de sódio para a etapa final de desinfecção.

Avaliação dos equipamentos eletromecânicos: Muitos sistemas precisam de equipamentos eletromecânicos em uma ou mais etapas do tratamento, e é fundamental a avaliação do funcionamento dos mesmos para evitar graves problemas. Por exemplo, se as bombas de recalque de uma estação elevatória não estiverem funcionando, fatalmente haverá transbordamento e retorno do efluente pela rede. Por outro lado, se o soprador não estiver funcionando, seguramente o sistema não atingirá a eficiência para a qual foi projetado. Recomendamos sempre que sejam adquiridos equipamentos reservas para evitar o colapso total do sistema em caso de problemas nos equipamentos eletromecânicos.

Retrolavagem dos filtros: Caso o sistema possua filtração terciária (areia ou carvão), é importante que seja realizada a retrolavagem dos filtros para evitar colmatação dos mesmos. A frequência e duração da retrolavagem depende da observação do manômetro que mede a pressão nos filtros e da percepção do operador quanto à qualidade do efluente tratado.

Limpeza do sobrenadante: Por utilizarem biomassa ativa (lodo), os sistemas biológicos de tratamento produzem sobrenadante que, quando não removido, pode se acumular nas tubulações de coleta ou conexões dentro do sistema de tratamento. Dessa forma, é imprescindível que seja realizada a limpeza e remoção do sobrenadante semanalmente, evitando o acúmulo desses materiais e reduzindo a possibilidade de mau cheiro.

Medidas para manutenção são fundamentais não apenas para o correto funcionamento dos sistemas de tratamento de esgoto, mas também para garantir uma maior vida útil dos equipamentos de maneira geral. Destacamos a seguir algumas medidas obrigatórias para a correta manutenção de um sistema de tratamento de esgoto sanitário:

  • Avaliação periódica do funcionamento dos equipamentos eletromecânicos.
  • Se o sistema for em Plástico Reforçado em Fibra de Vidro, é recomendando a pintura dos tanques com gel coat a cada cinco anos para proteger do desgaste promovido pelos raios UV (exceto para sistemas enterrados).
  • Substituição anual do meio filtrante caso o sistema utilize filtros de areia ou carvão.

Por fim, orientamos sempre que o cliente exija o manual de operação e manutenção do sistema de tratamento de efluentes adquirido. Esse documento é fundamental para aprovação dos sistemas de tratamento de efluentes nos órgãos ambientais, assim como para o acompanhamento do operador.

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